Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Chave Mestra

Chave Mestra

Comunicação social noticia criação de centro internacional de investigação sobre água em Lisboa - ignora que governo se recusa a testar níveis de herbicida na água potável e que portugueses têm níveis recorde de herbicida no corpo

glifo.jpeg

 

O governo português recusa-se a testar os níveis do herbicida (glifosato) na água potável. Os maiores níveis de glifosato alguma vez encontrados no corpo de qualquer pessoa a nível mundial foram registados em 2016 num grupo de pessoas de Gaia, o único grupo de portugueses alguma vez testado. A Organização Mundial de Saúde já classificou o glifosato como um provável cancerígeno, mas depois da pressão feita pela indústria dos herbicidas a Organização Mundial de Saúde voltou atrás na classificação, algo quase inédito.

 

A autorização da utilização deste herbicida na União Europeia foi feita unilateralmente pelo presidente da Comissão Europeia, um corpo não eleito pelo povo e o único com o poder de escrever e aprovar leis a nível da União Europeia, que compõem a maioria das leis dos países da União Europeia.

 

A proibição do uso deste herbicida em centros urbanos portugueses foi barrada pelo PCP, PSD e CDS-PP. Quase todas as autarquias do país aplicam este herbicida nos passeios várias vezes ao ano.

 

A autoridade da União Europeia que classifica os químicos considerou recentemente o glifosato como seguro, apesar de muitos estudos independentes terem concluído o contrário e apesar de vários países e regiões do mundo considerarem o glifosato cancerígeno e até já terem proibido o seu uso.

 

A comunicação social recusa-se a dar qualquer destaque ou promover qualquer debate sobre a segurança deste herbicida e sobre os estudos independentes que o classificam como cancerígeno.

 

O anterior Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, disse à reportagem de Marta Jorge que a RTP passou em Maio de 2016 e que expôs os níveis arrepiantes  de glifosato presentes no corpo de um grupo de pessoas em Gaia, que a toxicidade deste herbicida é muito provavelmente responsável por uma série de doenças graves e que não existem condições para classificá-lo como seguro.

 

"Pode aumentar a incidência de alguns tipos de cancro pelo menos, de autismo, de infertilidade, de perturbações hormonais, de doença celíaca, e de outras doenças gastrointestinais."

"Não tenho dúvidas que haverá certas doenças que estão a aumentar exatamente por causa da sopa química agrícola em que nós somos obrigados a viver"

 

No dia 27 de Março a Agência Lusa escreveu um artigo, que foi depois publicado pela maioria da comunicação social, com o título "Lisboa vai ter centro internacional de investigação sobre água" onde a questão do glifosato não foi referida e onde o coordenador desse tal centro de investigação sobre água, Jaime Melo Baptista, diz o seguinte:

 

"A ideia é criar, em Lisboa, em Portugal, um centro internacional dedicado às questões da água, o Lisbon International Centre for Water [Centro Internacional da Água de Lisboa], com o objectivo de desenvolver, numa rede internacional extensa, o melhor conhecimento existente no sector dos recursos hídricos e dos serviços de águas e passá-lo"

 

No artigo pode-se lêr também o seguinte:

 

"Jaime Melo Baptista, investigador coordenador no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), realçou a importância de apoiar novas soluções técnicas, de produtos ou serviços, que contribuam para capacitar os responsáveis e profissionais e obter mais eficiência na utilização de um recurso decisivo para reduzir a pobreza, melhorar a saúde e o desenvolvimento."

 

A questão do glifosato, especialmente em Portugal que detém o recorde mundial de níveis de glifosato detectados em pessoas, não é referido.

 

Quase toda a comunicação social já tinha em Agosto de 2016 publicado artigos sobre a "Água "excelente" em Portugal" onde se pode lêr que "Nunca a água em Portugal esteve tão segura para beber, revelam os dados da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR).". O artigo não diz que a entidade reguladora não testa os níveis de glifosato nem que existe uma directiva da União Europeia desde 2015 para que esses teste seja feito.